Boas histórias... grandes destinos - Veneza
Quem nunca?
Esta é a pergunta que não quer calar. Quem nunca sonhou em passar algumas horas em Veneza? E, se a sorte ajudar e a conta corrente permitir, quem sabe até um final de semana na cidade dos canais, das pontes e das gôndolas?
No nosso caso, em setembro de 2008, foram quase doze horas em um dos destinos mais procurados pelos turistas de todo o mundo.
E, como por onde passo costumo colecionar causos e casos, Veneza não poderia ficar de fora. Aliás, por pouco uma agradável experiência musical não terminou em uma confusão maior.
Mas vamos aos fatos.
Quem me conhece sabe que cantar é uma das minhas grandes alegrias. A música italiana sempre ocupou lugar especial nas minhas playlists e no repertório das serestas e dos barzinhos por onde soltei a voz.
Nossa guia, Elizabeth, depois de dezoito dias acompanhando o grupo, já conhecia essa minha paixão.
E resolveu me proporcionar um presente.
Colocou Marina e este velho cantor de serestas em uma gôndola acompanhada por músicos, um acordeonista e um violinista.
Imaginem a cena!
Veneza diante dos nossos olhos, os canais, as construções históricas, o balanço suave da embarcação e, para completar, música italiana ao vivo.
Não resisti.
Vieram Volare e Al di là, cantadas com a naturalidade de quem estava vivendo um daqueles momentos que a gente gostaria de guardar para sempre.
Tudo corria maravilhosamente bem.
Até que um turista brasileiro, acompanhado da esposa, resolveu mudar o repertório.
O cidadão, carioca, pediu um pagode ao músico de outra gôndola.
O italiano ficou sem entender absolutamente nada. Não conhecia a música solicitada e, naturalmente, não conseguiu atender ao pedido.
Mas o nosso compatriota não desistiu.
Abriu o gogó e resolveu cantar, por conta própria, uma canção do excelente Zeca Pagodinho.
Nada contra o Zeca, muito pelo contrário! O problema não era o compositor nem o pagode.
Era a ocasião.
E, para piorar, o rapaz não estava exatamente afinado.
Vieram as vaias, o constrangimento e, segundo presenciei, o fim antecipado do passeio de gôndola para o nosso improvisado pagodeiro.
E sabem quem ele resolveu culpar?
Este inocente cantor de músicas italianas!
Como se eu tivesse alguma responsabilidade pelo repertório escolhido ou pela reação dos demais passageiros.
Felizmente, o episódio não passou disso. O rapaz não fazia parte do nosso ônibus e tampouco permaneceu conosco até o fim daquele dia na belíssima Veneza.
Marina e eu seguimos aproveitando a cidade, levando na bagagem mais uma história para contar.
Moral da viagem?
Em Veneza, cantei Volare e Al di là, mas descobri que nem toda música combina com qualquer ocasião.
E que uma gôndola pode navegar tranquilamente pelos canais italianos, mas também pode balançar quando alguém resolve transformar um passeio romântico em uma roda de pagode.
Quanto a mim, saí de Veneza sem virar gondoleiro, mas quase virei culpado por um pagode que nem cantei!


Comentários
Postar um comentário