Boas histórias... grandes destinos - Monte Carlo
Monte Carlo, no Principado de Mônaco, foi um dos lugares mais bonitos que conheci em minhas andanças pelo mundo. E olha que já rodei um bocado!
Mas nem tudo foram flores naquela visita de 2008. Aliás, flores, naquele dia, só se estivessem muito bem protegidas, porque São Pedro resolveu abrir as comportas do céu.
Choveu torrencialmente durante quase todo o tempo em que estivemos por lá.
A primeira decepção foi justamente essa: conhecer um lugar tão bonito e não poder apreciá-lo como merecia. Mas, como costumo dizer, viajante não escolhe o tempo. Escolhe o destino e depois se entende com a natureza.
E até que a chuva nos proporcionou uma experiência interessante.
Percorremos parte do famoso circuito de rua do Grande Prêmio de Mônaco, um dos mais tradicionais da Fórmula 1, debaixo de um verdadeiro toró.
E não é que aquilo deu um charme especial ao passeio?
Lembrei-me imediatamente de Ayrton Senna, mestre em desafiar pistas molhadas e protagonista de atuações inesquecíveis naquele circuito.
Não havia carros de corrida disputando posições, mas a chuva estava lá, fazendo sua parte no espetáculo.
A segunda decepção veio diante do famoso Cassino de Monte Carlo.
E essa, confesso, foi mais divertida.
Basta olhar a fotografia que acompanha esta crônica para entender o problema: bermuda, tênis e aquele jeito descontraído de turista brasileiro que não combina muito com determinados ambientes da alta sociedade.
Não era exatamente o traje adequado para entrar nos salões de jogos do cassino, frequentados por gente elegante, perfumada e acostumada a gastar fortunas sem comprometer o orçamento do mês seguinte.
Fiquei do lado de fora.
Mas também não fiz grande questão de reclamar. Afinal, que dinheiro tinha eu para tentar a sorte entre aqueles milionários?
Pensando bem, talvez a bermuda tenha me prestado um grande serviço!
Monte Carlo é mesmo elegante, sofisticada e bonita, até debaixo de chuva. Mas descobri que também sabe receber quem não tem conta bancária de príncipe nem fortuna de magnata.
E foi assim que guardei aquela visita: com a beleza de Mônaco nos olhos, a chuva na lembrança e o dinheiro das apostas inteirinho no bolso.
Saí de Monte Carlo sem entrar no cassino, sem ganhar um centavo na roleta e sem perder um tostão.
Para um turista de bermuda e tênis, até que foi um excelente resultado!


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