Boas histórias... grandes destinos - Rio Reno

 

Era novembro de 2011. Depois de percorrermos parte da Europa, deixávamos Amsterdã em direção à Alemanha. Passaríamos por Colônia antes de chegar a Frankfurt, nosso destino final, de onde embarcaríamos no dia seguinte para São Paulo.

Nossa excursão, organizada pela Europamundo, havia começado em Paris e passado por Londres, Bruges, Bruxelas, Haia, Amsterdã, Marken e Volendam. Já tínhamos muitas histórias para contar, mas ainda faltava uma surpresa.

E que surpresa!

A Europamundo nos ofereceu um passeio que não estava no roteiro: um minicruzeiro pelo Rio Reno, um dos mais famosos e importantes rios da Europa.

Não posso dizer que fosse um sonho antigo realizado, mas foi um presente daqueles que ninguém recusa.

Todos os companheiros de excursão ficaram encantados. Afinal, navegar pelo Reno, observando suas margens, paisagens e construções históricas, era uma maneira maravilhosa de encerrar nossa passagem pela Alemanha.

Mas havia outro detalhe.

E a fotografia que ilustra esta história não me deixa mentir.

Para os apreciadores de uma boa cerveja, aquele passeio reservava um presente dos reis: autêntica cerveja alemã, servida em belas tulipas.

Quatro tulipas para cada participante!

E aqui entra Marina, minha companheira de tantas aventuras, que não bebe cerveja nem quando ela é sem álcool.

Resultado?

Bebi as minhas quatro e fiquei também com a parte que caberia a ela.

Não sei se os antigos navegadores do Reno tiveram tamanha generosidade a bordo, mas aquele velho escriba brasileiro não deixou o presente passar.

Foi uma tarde maravilhosa. O rio correndo tranquilamente, as paisagens desfilando diante de nossos olhos, os companheiros satisfeitos e a boa cerveja alemã completando o cenário.

Ninguém se importou com o atraso da programação. Chegamos ao destino já noite adentro, mas felizes com aquela surpresa que não estava prevista.

E assim descobri mais uma verdade sobre minhas andanças pelo mundo: nem sempre as melhores lembranças são aquelas que planejamos. Algumas simplesmente aparecem pelo caminho.

E, naquele novembro de 2011, uma delas veio navegando pelo Rio Reno.

Com direito a oito tulipas de cerveja alemã.

E O RENO DEIXOU UMA DÍVIDA...

Mas aquele minicruzeiro pelo Rio Reno deixou uma dívida que atravessou quinze anos: afinal, descemos ou não pela famosa Floresta Negra?

Eu garantia que sim. Marina dizia que não.

E a dúvida ficou navegando pelas nossas lembranças até outubro de 2026, quando, ao preparar esta crônica, resolvi consultar o ChatGPT, meu guru e companheiro de tantas histórias.

E o danado colocou ordem no terreiro!

Não passamos pela Floresta Negra!

Confesso que fiquei um tanto decepcionado. Afinal, perdi uma floresta inteira das minhas recordações.

Marina, por sua vez, comemorou a vitória. Esperou quinze anos para provar que estava certa!

E assim terminou mais uma aventura europeia: eu fiquei com as oito cervejas alemãs e Marina, quinze anos depois, ficou com a última palavra.

Pensando bem, acho que ela fez o melhor negócio!


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